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  • Foto do escritorMarcio strzalkowski

O Exorcista

Em 10 anos de Salsichão do Amor, nunca achei que iria escrever sobre o filme O Exorcista – O filme mais assustador do século XX. Mas o farei para alegria de todas as minhas 5 leitoras que adoram filmes de terror com heroínas conservadoras que não devem nada ao feminismo!


O Exorcista (The Exorcist 1973)

Dirigido por William Friedkin

Escrito por Peter Blatty, baseado em seu livro O Exorcista

O que faz o filme O Exorcista ser o mais assustador do Século XX é o fato do filme apresentar lentamente seu cenário de atualidade de uma cidade comum com pessoas e personagens caminhando nas ruas, pegando metro e vivendo em apartamentos. Sua história poderia literalmente se passar do lado da sua casa.

Chris MacNeil é vivida pela atriz Ellen Burstyn que é uma das poucas pessoas no mundo a alcançar a Triplice Coroa de Atuação. Chris MacNeil é uma atriz que trabalha e vive em Georgetown. Explicado no filme, Chris MacNeil não é nenhum pouco religiosa.

Chris MacNeil tem uma filha de 12 anos, a linda Regan MacNeil interpretada por Linda Blair. E este é o detalhe. Regan é uma menina doce e meiga! Uma criança brincalhona normal.


O Sobrenatural

Os acontecimentos sobrenaturais ocorrem antes da possessão, alguns são muito sutis como barulhos e vozes pela casa. Outros são violentos, por isso, inacreditáveis. É o caso do ataque a mãe Chris no sótão. Onde uma labareda de chamas irrompe da chama de sua pequena vela. O acontecimento é tão surreal que a mãe Chris duvida do que aconteceu.

Na lista de estranhos acontecimentos, está o fato de que a pequena Regan brincou com um tabuleiro de OUIJA e que acabou conversando com um desconhecido Capitão Howdy.

O filme lentamente mostra que existe algo de errado na casa. A mãe Chris percebe mudanças no comportamento da doce Regan como ela mencionar que a cama tremia a noite e conversar com esse Capitão Howdy, além de pequenas mentiras e eventuais palavrões. Comportamentos errados que a doce Regan nunca teve.


O ataque à alma inocente

Uma das sequencias do filme que definitivamente muda tudo. Regan é definitivamente possuída. Diversos objetos de seu quarto estão voando ou sendo jogados de um lado para outro. Sua mãe chega ao quarto para tentar socorrer a menina e se depara com ela se machucando apunhalando sua própria vagina com um crucifixo. A menina Regan agride a própria mãe Chris com força e voz que não possui. Ela segura a cabeça da própria mãe contra suas feridas e termina por jogar um armário por cima de sua mãe.

Aqui, o filme mostra o porque é tão assustador.

Outros filmes de terror mostram assassinos que são a encarnação de violência física, psicológica, sexual e que terminam com o assassinato. Aqui, a violência é contra a própria alma! A possessão demoníaca controla o corpo e a mente da pessoa, fazendo com que ela mesma ataque suas próprias crenças assim como as pessoas que mais ama nesse mundo!

Regan não tem consciência, foi forçada a usar um crucifixo, símbolo da fé, para machucar seu corpo e depois se voltar com violência contra a sua própria mãe.

Assustada, sua mãe pede ajuda aos melhores médicos.

Além da ciência

O Sobrenatural em sua definição é algo além do natural ou que não tem uma explicação natural pelo ser humano. Há 2 mil anos, a gravidade era sobrenatural pois, não existia a explicação do ser humano. Micróbios e bactérias eram inimagináveis. Medicina era indistinguível da feitiçaria.

Neste contexto, os melhores médicos e psicólogos simplesmente não encontraram absolutamente nada de errado com a menina Regan. Os ferimentos eram reais, mas não existia nenhuma explicação para o comportamento fora dos problemas mentais.

Nesta situação, a Mãe Chris simplesmente não tem explicação do que está acontecendo com sua filha.

Restando a um psicólogo pedir para a Mãe Chris levar a menina a um exorcista.


Duvidando da própria fé

Padre Damien Karras, vivido pelo ator de teatro Jason Miller, é um padre que tem a sua fé completamente questionada pela morte da mãe. Chegando a duvidar de Deus e principalmente de Regan.

Mas isso é construido durante o filme mostrando a mãe do Padre Damien como uma senhora doente e sofrida. O Padre Damien vai lentamente perdendo a sua mãe a medida em que vai perdendo a sua fé.

Ao encontrar com a Menina Regan, o Padre Damien a interroga diversas vezes e não acredita que ela esteja possuída. Aqui temos diversas interpretações conflitantes na história. Padre Damien em sua falta de fé interpreta que a menina está fingindo, ou sofrendo de problemas mentais.

Com a morte de sua mãe, o Padre Damien quase desiste de tudo.

Para entender o Padre Damien e sua jornada, ele é um padre relativamente jovem que questiona a própria fé enquanto se dá ao luxo de pequenos prazeres da vida como fumar ou beber cerveja. O fato de sua mãe adoecer lentamente e sofrer muito consegue abalar muito o jovem padre. E mesmo assim, ele decide fazer parte do ritual de exorcismo mesmo duvidando de si mesmo.


O exorcismo

A atriz Ellen Burstyn entrega muito sofrimento interpretando a Mãe Chris. Primeiro ao sofrer por não saber o que acontece com sua filha. E depois por saber exatamente o que está acontecendo com sua filha e mostrar a melhor atuação de sua carreira como uma mãe que se sente impotente aos eventos. É importante explicar que boa parte dos atores não estavam interpretando papeis, mas sim realmente assustados com os eventos filmados que eram inspirados em fatos reais escritos por Peter Blatty e pelo diretor William Friedkin que de vez em quando dava tapas na cara dos atores para fragilizar os mesmos ou tiros antes das gravações.

Ao final, Chris e Padre Damien recebem a ajuda de Padre Lankester Merrin, interpretado por Max von Sydow. E juntos, diante do demônio que queria destruir uma criança inocente, recorrem a valores conservadores como arma contra o mal.

Por isso que nenhuma feminista exalta as qualidades da personagem Chris MacNeil vivida pela atriz Ellen Burstyn. A mãe desesperada que recorreu à fé como legitima defesa para salvar a sua filha. Atitudes opostas ao que o feminismo prega!

E por motivos óbvios, deixei muita coisa de fora do meu review. Principalmente Spoilers...

Concorreu ao Oscar de 1974 em 10 categorias por Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Som. Recebeu dois Oscars por Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.


Desabafo

Quando o blog do Salsichão do Amor surgiu em 2010, um dos quesitos mais divertidos e significantes era mostrar como justamente os filmes mais machistas de nossa cultura também eram os que mais respeitavam as mulheres. A definição de machismo no dicionário deveria ser uma foto de Charles Bronson com uma arma em punho explicando que homem de verdade não machuca as mulheres! Meninos aprenderam a serem homens vendo o exemplo de Chuck Norris de respeito as mulheres. Que filmes com Stallone e Schwarzenegger tinham respeito, amor e carinho pelas mulheres. Alguns dos filmes com mais respeito as mulheres foram dirigidos por Clint Eastwood.

E com o aumento do interesse das mulheres pelo Salsichão do Amor, resolvi escrever sobre as maiores heroínas do cinema que eram contra as principais bandeiras do feminismo. E qual era a surpresa ao descobrir que todas as maiores heroínas do cinema carregavam valores conservadores?

A péssima noticia era de que as maiores heroínas estavam nos filmes mais assustadores do cinema! A boa noticia é que quanto mais assustador a ameaça, mais as heroínas se apegavam a valores conservadores! Defender a família, a legitima defesa e até se apegar a fé são armas conta a violência e o horror! E as feministas deixaram claro no século XX que são contra a família, contra a legitima defesa e contra a fé!


A jovem Sarah Connor foi perseguida por um ciborgue do futuro que era a representação máxima de uma distopia progressista, onde o progresso eram maquinas que pensavam igual sobre destruir a humanidade até mesmo alterando o futuro matando um bebê que nem era nascido. Aborto.

Outras heroínas também tiveram espaço no Salsichão do Amor. Laurie Strode sobreviveu a Michael Myers, assassino que representava a violência física de um lunático capaz de invadir uma casa e matar sem motivo. A jovem Ellen Ripley que encarou um alienígena que era a encarnação máxima de violência sexual com assassinato. Nancy Thompson sobreviveu a Freedy Krueger, que é o máximo em violência psicológica antes do assassinato.

Lorraine Warren, heroína real e autora de diversos livros que se tornaram a melhor série de filmes de terror da atualidade. Lorraine Warren investigava e enfrentava fantasmas e demônios que perseguiam as pessoas em suas almas! O contexto é explicito e muito bem definido. O ataque às crenças mais sagradas, a possessão do corpo da vitima para que ela seja obrigada a fazer coisas contra a sua vontade, inclusive com ataques contra as pessoas mais amadas da vitima.


Por Marcio Strzalkowski

Força e Honra!

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