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  • Foto do escritorMarcio strzalkowski

As Sufagistas


POR DÉCADAS AS MULHERES FIZERAM UMA CAMPANHA PACÍFICA PELA IGUALDADE E DIREITO AO VOTO.

SEUS ARGUMENTOS FORAM IGNORADOS. EM RESPOSTA, EMMELINE PARKHURST, LÍDER DO MOVIMENTO SUFRAGISTA,

CONVOCOU UMA CAMPANHA NACIONAL DE DESOBEDIÊNCIA. ESSA É A HISTÓRIA DE UM GRUPO DE TRABALHADORAS

QUE SE JUNTARAM À LUTA.


E é assim que começa este filme feminista que conta a história do inicio do movimento que viria a se tornar o feminismo.

O filme começa mostrando exatamente a triste realidade das trabalhadoras de uma lavanderia em Londres e centrando no ponto de vista de Maud Watts(Carey Mulligan), que viria a se juntar ao movimento. O filme começa inclusive com uma narração preconceituosa de um um argumento utilizado na época onde um homem não quer o voto feminino com medo de que as mulheres possam vir a se tornar juízas, politicas e até lideres. Seu chefe então lhe deixa uma tarefa de entregar roupas limpas no endereço de uma cliente e enquanto Maud simplesmente olha para vitrines de roupas de bebes, um pequeno grupo de sufragistas começa uma manifestação violenta atirando pedras nas vitrines e gritando pelo voto das mulheres!


Porra! Em menos de cinco minutos de filme as sufragistas recorrem a violência!

Mas calma, o filme ainda afirma que é um movimento pacifico :p

E este é um review machista de um filme feminista


As Sufagistas (Suffragette 2015)

Dirigido por Sarah Gavron e escrito por Abi Morgan


O filme corta então para um momento interessante quando uma sufragista vai na porta de empresas discursar sobre direitos das mulheres e sobre como queria convocar uma trabalhadora para dar um depoimento para o Chanceler do Tesouro de 1919: Lloyd George. Evento que desencadeia a Maud que conheça outras sufragistas como Edith Ellyn(Helena Bonham Carter), Violet Miller(Anne-Marie Duff) e a investigação das autoridades. O que é importante de se levar a sério é o fato de que até o começo do século XX as pessoas pobres realmente eram tratadas como cidadãos de segunda classe e tanto mulheres quanto crianças acabavam tendo uma vida bem difícil. Muitos ambientes de trabalho realmente tratavam as mulheres de forma sub humana e isso é um fato.

O que culmina em Maud presenciando a filha adolescente de Violet sendo abusada pelo patrão e se desespera por saber que isso era infelizmente comum.

Maud decide então acompanhar Violet para o depoimento sem contar sobre o abuso da filha...


O DEPOIMENTO DE MAUD WATTS Ao chegar na audiência, a surpresa de Maud foi encontrar Violet com o rosto todo marcado da violência. E sabendo que ela nunca seria ouvida, acabou tomando o seu lugar para a audiência com o Chanceler. E seria injusto de minha parte ignorar esta parte importante do filme. Maud explica que Nasceu na Lavanderia Glass House em Bethnal Green. Sua mãe trabalhava na lavanderia desde os 14 anos. Sua mãe a amarrava nas costas, ou debaixo dos tanques de cobre se ela dormisse. Todas que tinham bebê faziam isso. Uma pratica comum. Sua morreu quando Maud tinha 4 anos. O tanque virou e a escaldou. Maud nunca conheceu o pai e trabalhava meio período desde os 7 anos. Período integral desde os 12 anos. Era boa com as golas. Para passar o tecido. Tinha as mãos para isso. Foi promovida a lavadeira chefe aos 17 anos. Supervisora aos 20 anos. Tem 24 agora. E que não precisa de escolaridade para lavar camisas. Maud explica que é uma profissão curta para as mulheres. Você fica com dores e tosse. Dedos esmagados. Úlceras nas pernas, queimaduras, dor de cabeça por causa do vapor. Uma garota foi intoxicada ano passado. Não pode mais trabalhar. Acabou com os pulmões. Que ganha 13 xelins por semana. Para os homens é 19 que ficam fora fazendo as entregas, então pelo menos respiram ar puro. Mas as mulheres continuam trabalhando um terço a mais de horas. - Nunca achei que poderíamos votar, então nunca pensei no que significaria. A ideia de que poderíamos... Que essa vida... Que há outra maneira de viver essa vida. Desculpe. Minhas palavras... - Não. A melhor eloquência é a que faz as coisas serem realizadas. Obrigado, sra. Watts. O ENVOLVIMENTO Maud Watts acabou sendo convidada para um chá e reuniões sufragistas, incluindo uma manifestação para saber sobre o julgamento do voto para as mulheres. Infelizmente decidiram que não havia motivos para dar o direito aos votos para as mulheres. E sobre os gritos e protestos das sufragistas, chamaram a policia que agrediu e prendeu inúmeras delas: Inclusive Maud. O encarceramento foi completamente horrível e degradante, mas isso serviu para que as sufragistas se unissem mais e aceitassem mais a Maud. Inclusive com um ritual carinhoso de dar flores para ela no final de uma semana de cadeia. Após o reencontro com a família, Maud é finalmente convidada para um discurso de ninguém menos que EMMELINE PARKHURST (vivida por Meryl Street)


O DISCURSO DE EMMELINE PARKHURST


"Minhas amigas.

Apesar do governo de Vossa Majestade, estou aqui hoje.

Sei os sacrifícios que fizeram para estarem aqui.

Sei que muitas de vocês se afastaram da vida que tinham. No entanto, sinto seus espíritos essa noite.

Durante 50 anos, lutamos pacificamente para garantir o voto às mulheres.

Fomos ridicularizadas, agredidas e ignoradas. Agora percebemos que as ações e sacrifícios devem ser a ordem do dia.

Lutamos para o momento em que toda garotinha que nascer tenham uma oportunidade igual a dos seus irmãos.

Não subestimem o poder das mulheres de definir os nossos destinos. Nós não queremos infringir a lei, queremos fazer a lei.

Sejam militantes. Cada uma da sua maneira. Aquelas que podem quebrar janelas, quebrem.

Aquelas que podem atacar o ídolo sagrado de propriedade, ataquem!

Fomos deixadas sem alternativa, senão desafiar esse governo.

Se tivermos que ser presas para conquistar o voto,

que depredem as janelas do governo, não o corpo das mulheres.

Eu incito essa reunião, e todas as mulheres britânicas, à revolucionarem. Prefiro ser revolucionária do que uma escrava!"


Não preciso dizer muita coisa. Este discurso usou palavras muito bonitas para incitar as mulheres a ações e sacrifícios que incluem quebrar janelas e propriedades. Muito bonito e com certeza representa todas as mulheres muito bem. E as consequências disso foram que as sufragistas começaram a EXPLODIR CAIXAS DE CORREIOS! UMA VERDADEIRA EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA PACIFISTA

O plano acabou ficando muito simples sob a supervisão de Edith: Explodir coisas como uma caixa de correio aqui, outra acolá e a CASA DO MINISTRO!

Sim, e o filme afirma que foi tudo pacifico. Lógico, é só o filme afirmar que ninguém morreu durante as cenas baseadas em atentados reais.


A PROCURA DE UMA MARTIR

Após a explosão na casa do Ministro (onde o filme diz que ninguém morreu) o grupo sufragista de Maud vai todo preso. Violet e Edith a acompanham na prisão mais uma vez. Mas desta vez Maud tem um plano de não se alimentar. Uma greve de fome que poderia culminar em uma mártir que morreu pelo que acreditava. Mas as autoridades tiveram que fazer o procedimento de alimentação forçada em Maud.


De fato, o filme mostra uma cena rápida que mostra que todas fizeram greve de fome.


Mas a busca por uma mártir acabou?

Lógico que não. Assim que saíram da cadeia, as sufragistas precisaram montar um novo plano quando souberam de um evento real de corridas de cavalos para ninguém menos que o Rei da Inglaterra.

As sufragistas então decidiram fazer seu manifesto no evento diretamente para o Rei. Mas infelizmente foram barradas por autoridades até que uma em especial decidiu fazer o último sacrifício por sua causa. Emily Wilding Davison(Natalie Press) conseguiu entrar no meio da corrida e se posicionar na frente dos cavalos para que seja atingida em frente as câmeras. Lógico que o filme não menciona se esse era o plano desde o inicio.

Sim, uma das figuras que se tornou uma mártir para as sufragistas teve toda a sua história ignorada pelo filme que a mostra em seus últimos momentos de vida! O filme não mostra mais nada dela!

Talvez pelo motivo de que Emily Wilding Davison possa ter sido uma terrorista que provocou a morte de alguém durante seus atentados ou pelo motivo de que as sufragistas nunca tenham se importado com ela antes. E muito menos as idealizadoras deste filme...


Mas vamos ser sinceros...

O filme é hipócrita do começo ao fim! Afirma que as sufragistas eram pacificas e em menos de cinco minutos já aparecem fazendo protestos violentos!

O filme ignora que a maioria dos homens na época também não tinham direito ao voto! Esconde as vitimas fatais causadas pelas sufragistas! Não menciona em momento nenhum as ligações politicas das mesmas e pinta o movimento como se o mesmo representasse todas as mulheres!

Isso sem falar que tem a cara de pau de mostrar no final inúmeros países e os anos em que conquistaram os votos para as mulheres: Ignorado que muitos países conquistaram o voto feminino SEM as sufragistas! Isso inclui o Brasil!



EMMELINE PARKHURST (Interpretada por Meryl Streep no filme As Sufragistas de 2015)

Emmeline Parkhurst foi uma politica socialista que liderou o movimento do direito ao voto feminino no inicio do Século XX. Embora o direito ao voto feminino seja válido, as sufragistas utilizaram claramente de sabotagem, terrorismo com bombas incendiarias, ameaça de morte e suicídio.

Em menos de 5 minutos de filme as sufragistas já estão berrando, jogando tijolos em janelas e vidraças. O filme mostra claramente sufragistas explodindo bombas em caixas de correio por Londres ignorando que houveram feridos e mortes. O Filme mostra que as sufragistas provocaram um incêndio na casa do Primeiro Ministro com pólvora e benzina, mas ignora que a fumaça quase matou duas crianças que viviam na propriedade. O filme mostra o discurso de Emmeline Parkhust incentivando a violência e age como se fosse a coisa mais heroica do mundo. Principalmente a parte onde Emmeline Parkhurst mandou as sufragistas se martirizarem na prisão não comendo nada até morrer de fome. Parte que não deu certo e elas foram alimentadas a força.

Mas o pior do filme é o final onde o filme não conta a história de Emily Wilding Davison. Simplesmente a mulher que se jogou em frente de uma corrida de carruagens para ser vista pelo Rei da Inglaterra e conseguir o voto para as mulheres! Emily Wilding Davison era doente mental que participou de vários atentados com feridos antes do ato. Mas esse fato não é contado no filme.


A outra história de Emmeline Parkhurst

No começo do Século XX, Emmeline Parkhurst foi o exemplo máximo de luta pelo voto feminino na Inglaterra pelo partido trabalhista junto aos sindicatos usando bombas, provocando incêndios com pessoas feridas, suicídios de um mulher embaixo de carroça e tudo o mais que a ideologia socialista ajudou a pregar. Em 1914, inicio da Primeira Guerra Mundial, Emmeline Parkhurst distribuiu plumas brancas a todos os homens que não queriam ir para a Guerra. Simbolismo de covardia perante a guerra. De modo completamente hipócrita, os próprios jovens que Emmeline Parkhurst queria jogar na guerra também não tinham direito a voto! Os pobres em geral não tinham o direito ao voto!

A virada de opinião de Emmeline Parkhurst começou em 1916 com contato direto com os seus próprios financiadores socialistas tanto da Rússia (Bolcheviques e Mencheviques) quanto da Alemanha. Viajou para a Rússia em 1917 e se encontrou com o Primeiro-Ministro Alexander Kerensky quando percebeu que os socialistas não tinham nenhum respeito pelas mulheres.

Em tempos de Guerra, Emmeline Parkhurst viu exatamente como os bolcheviques agiam com as mulheres praticando os maiores estupros em massa da história até então. Ela viu fome, morte, escravidão, estupros, canibalismo com crianças. Tudo em nome de valores que ela defendeu por anos! Voltou para a Inglaterra aterrorizada e começou a se opor ao socialismo. Levaram anos até Emmeline Parkhurst mudar completamente de posicionamento politico até se unir ao Partido Conservador em 1926.


Ao final da vida e prestes a ser eleita pela primeira vez, sua filha Sylvia Parkhurst teve um filho sem se casar e defendendo princípios que Emmeline defendeu toda a vida. Sylvia Parkhurst afirmava que seu filho era um triunfo da Eugenia. Emmeline Parkhurst passou dias chorando, sua campanha inteira foi cancelada e ela adoeceu profundamente. Emmeline Pankhurst faleceu no dia 14 de junho de 1928 com 69 anos de idade.


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